sexta-feira, 25 de março de 2011

DEUSA DO TAPETE VERMELHO

Quando, por acaso, me entregou a brisa litorânea com suas leves e refrescantes mãos aquele pedaço de cheiro encapado em um frenético e convidativo embrulho de vermelho-flerte não hesitei em observar quem, que sem notar a alguém era observada por todos, me havia mandado entregar. Atinei que, melindrosamente, era engolida compulsivamente pelos narizes daqueles seres aos quais os seus inocentes e arrogantes ouvidos não se faziam humildes em respeitar o pedido de ordem que vinha do som das trombetas bucais assoviantes que alertavam à passagem da majestade se apresentando naquele calçadão que, por momentos, se desdobrava em tapete vermelho frente à dona daquela beleza impar.
 
À dona dos olhos que continham aquele nuance escarlate de mulher picante simplesmente me entreguei. Fui tomado por uma pressa infernal que mirava na direção da deusa do tapete vermelho quando decidi que, por tudo, sentiria e mais; que provaria do efeito peçonhento e frenético de cada centímetro cúbico daquele veneno impiedoso com cheiro de paixão homogeinizado ao doce suor que se exalava fervente do seu conjunto de poros crazys que se dilatavam e contraíram repetitivamente em um tom combinado e dançante ao som dos batuques de seus saltos. Em minha carne aquele cheiro fêmeo me chamuscava e me acariciava maldosamente. Cada centímetro quadrado de contato se tornou em instigância, em tentação a quem se sentiu com liberdade unicamente a seguir todos os passos da deusa do tapete vermelho, fossem rápidos ou lentos seus comandos. Antes àquela perpetuante pressa de outrora agora havia me embolido de uma vontade de controlar o tempo unicamente para desprezar a tudo em minha volta e desbravar cada detalhe, cada curva que o sol matinal  desenhava em traços pitorescos nas suas maças do rosto. De respirar cada molécula de desejo que se exauria do seu corpo. Eu a queria de corpo, alma e sentidos.
Como notar algo mais, como perceber outros aromas ao meu redor teimando em me atingir sendo que seu brilho e seu corpo eram os próprios criadores daquela minha energia compulsivante. A pressa que antes me levava rumo a você foi injuriada quando travou um querer sem querer em passar rapidamente por você e meus sentidos e sentimentos a convenceram de que não.
 E se hoje tenho pressa é uma pressa de querer que a cada dia você retorne novamente àquele calçadão mesmo que por meros momentos e que ele volte a se desdobrar em um novo e novo tapete vermelho para que meu simples banco de cimento ao qual persisto em retornar em mesma hora e brisa venha a se tornar um trono e que você, deusa do tapete vermelho, seja a própria que venha ao meu encontro para me presentear com outros e outros pacotes vermelhos.


Marco Aurélio de Jesus Matos